Diferença salarial entre homens e mulheres no mundo

Blog Águeda Mars

Você sabia que em média no mundo inteiro as mulheres recebem 63% do que os homens recebem? E que no Brasil elas ganham 75% do que os homens ganham?

A desigualdade salarial entre os gêneros é um acontecimento mundial. Em países desenvolvidos e nos menos desenvolvidos. Por que isso ainda acontece? 

Desigualdade salarial entre gêneros: um fenômeno mundial

Quando falamos em diferença salarial entre homens e mulheres, existem dois tipos pelo menos:

  • Primeiro, quando uma mulher realiza o mesmo trabalho que um homem e nas mesmas condições e tem uma remuneração inferior. Em geral isso é ilegal nos países. Mas existe.
  • Segundo, quando falamos da diferença salarial em geral entre os gêneros.

No mundo todo os homens  recebem salários maiores que as mulheres. Esse é um dos motivos essenciais que eu considero para nós mulheres sermos feministas.

No Reino Unido, por exemplo, é ilegal (desde o Equal Pay Act em 1970) pagar menos para mulheres quando é realizado o mesmo tipo de trabalho que homens. Apesar disso, os números do governo britânico mostram um grande gap quando falamos da diferença salarial média entre os gêneros. Por lei, no Reino Unido todas as empresas com mais de 250 empregados devem reportar esses dados.

Os dados enviados por 500 empresas (2019) expôs alguns fatos: apenas 15% dos negócios pagam mais às mulheres; a média salarial dos homens é maior em 74% das empresas; apenas em 11% não existe diferença salarial entre as médias pagas entre os gêneros.

Outra pesquisa mostra que em todos os setores os homens tem salários maiores que os das mulheres no Reino Unido. Quando a análise foca nos bancos, eles estão entre os que existe maior diferença salarial em geral. O objetivo dessa lei (de informar os dados do gap salarial) é estimular ações no sentido de diminuir essa distância salarial.

Quando falamos em leis trabalhistas, segundo o Banco Mundial (2019) que há 10 anos vem acompanhando 187 países, os problemas também são graves. Em março deste ano O Banco Mundial mostrou que apenas Bélgica, Dinamarca, França, Latvia, Luxemburgo e Suécia possuem leis trabalhistas igualitárias para homens e mulheres. Contudo, em todo o mundo a média subiu.

Entre os 39 países com as melhores avaliações, apenas dois são do grupo da América Latina e Caribe: Paraguai e Peru. A presidente interina do Banco Mundial Kristalina Georgieva fez o anúncio da pesquisa, e afirmou:

_Igualdade de gênero é um componente crítico do crescimento econômico... Mulheres são metade da população mundial e tem uma função a desempenhar criando um mundo mais próspero. Mas, nós não teremos sucesso nisso se a

A questão retorna para a diferença salarial. Se consideramos apenas o fator econômico, no mundo inteiro riqueza deixa de ser gerada porque não há igualdade salarial.

Em contrapartida, a Islândia é um caso ímpar no mundo. O país aprovou em em janeiro de 2018 uma lei que tornou ilegal pagar mais aos homens pelo mesmo tipo de trabalho que uma mulher realiza. Na Islândia a desigualdade salarial entre os gêneros está entre 14% a 18%. Com a lei implementada a Islândia quer eliminar a desigualdade até 2022.

E de que maneira isso vai acontecer? Agora é obrigatório que toda empresa com 25 empregados ou mais, privada ou pública, terá de obter com o governo islandês um certificado de que paga os salários de maneira igualitária. Assim, o diferencial dessa lei é que ela foca em eliminar efetivamente a desigualdade salarial no país.

A copa do mundo de futebol feminino e uma incômoda verdade

A copa do mundo de futebol feminino da França que se encerrou no dia 07/07/2019 pela primeira vez foi transmitida integralmente na tv aberta brasileira.

Além de finalmente a maior parte da população do país ter tido a chance de acompanhar o campeonato, na internet e outras mídias pudemos testemunhar uma realidade chocante: o escandaloso abismo salarial no futebol masculino e feminino.

A jogadora Marta da seleção brasileira (ela também joga nos EUA pelo Orlando Pride) deixou bem claro o peso da desigualdade salarial também no futebol feminino. Realidade em todos os países do mundo em qualquer tipo de trabalho. Marta foi até o extremo e não aceitou continuar sendo patrocinada pela Puma, por não considerar justo o valor oferecido. A jogadora de futebol preferiu disputar a copa sem patrocínio. Nas suas chuteiras destacou-se o símbolo do movimento “Go Equal”.

Outra jogadora a protestar foi a atual mais bem paga do mundo, Ada Hegerberg. Ela recebe por temporada 325 vezes menos que Lionel Messi, que é o homem mais bem pago do futebol no presente. Como protesto, Hegerberg não participou da copa do mundo de futebol feminino deste ano.

É possível encontrar na internet tentativas de justificativa, tais como que o futebol feminino tem um retorno menor, que não está aí a tanto tempo, que o mercado para o futebol masculino é mais consolidado, etc. Na realidade não existe justificativa que se sustente, porque não é de agora que as mulheres no futebol e nos esportes em geral – e no mundo em geral – estão deixando bem claro que é injusta a desigualdade salarial entre os gêneros. E que, sim, as mulheres tem consciência disso.

Trata-se de má distribuição dos recursos?

Ou uma supervalorização do futebol masculino – talvez até dos homens nos esportes em geral?

Nos Estados Unidos, por exemplo, o futebol está presente de maneira praticamente igual entre gêneros no país. O futebol feminino deles já conquistou 4 campeonatos mundiais e 4 medalhas de ouro nas Olimpíadas. Por outro lado o futebol masculino não ganhou nenhum campeonato mundial e nenhuma medalha de ouro.

A briga lá está intensa. Porque, apesar de resultados muito melhores (não que a questão devesse ser sobre resultados, mas é um ponto importante aqui) na liga profissional o salário delas também é menor. A questão está nos tribunais de .

No futebol dos EUA algo curioso é que no ranking do país que indica os maiores rendimentos, 23 dos 50 colocados são mulheres. Entretanto, isso ocorre quando se inclui as bonificações que elas recebem, muitas das vezes por GANHAREM os campeonatos. Enquanto isso, os homens recebem mais simplesmente por participarem dos campeonatos (talvez porque eles mereçam, não é?)

Quer dizer, os homens podem até ter uma média salarial maior, mas se as mulheres trabalham mais e conseguem “bônus por produção destacada” está tudo igual? Acho que não pessoal.

Eles querem que além de tudo as mulheres sejam heroínas. E tirar por baixo que existe desigualdade.

É aquilo que a professora Vivian Almeida chama de “fardo Mulan“, referindo-se a Mulan da animação. Nas palavras dela “você tem que salvar a China, fazer algo descomunal, para poder começar a brigar por igualdade. Infelizmente”.

As mulheres tem que ir além, muito além da estratosfera em conquistas para se destacar e conseguir ter alguma voz para pedir igualdade. Ou seja, você precisa conquistar até mesmo o direito de ser ouvida a respeito dos seus direitos violados.

É cansativo você precisar ser heroína para ter o mínimo, para ter direitos humanos básicos. É insuportável essa promoção que se faz dos sofrimentos e das injustiças que uma pessoa passa sem necessidade, porque se os direitos dela fossem assegurados não haveria obstáculos tão revoltantes na vida delas.

Não é bonito ser heroína. Não nesse tipo de caso.

Eu não quero ser heroína quando eu tenho direitos, e tenho direitos humanos antes de todos os outros direitos. Com licença mundo!

No meio desse espetáculo de desigualdade, em 2018 a Nova Zelândia anunciou que a Confederação de futebol deles vai pagar direitos de imagem e premiações igualmente para homens e mulheres. As duas seleções do país agora tem as mesmas condições salariais. Contudo, poucos países no mundo adotam políticas de igualdade salarial nos esportes.

Por que AINDA existe desigualdade salarial entre os gêneros?

Afinal, não se trata de pedir Equal Pay somente para as meninas do futebol. É algo que demandamos enquanto mulheres em todo o mundo.

O Fórum Econômico Mundial (WEF em inglês) de 2018 estimou que levará 202 anos para que o gap salarial entre gêneros seja eliminado, tendo em vista a velocidade (de tartaruga) e a amplitude desse problema.

Apesar dessa perspectiva, a diferença estagnou. O que não soa tão positivo perto dos 202 anos de previsão. Em números, o WEF estima que as mulheres recebem 63% do que os homens recebem no mundo inteiro. Não existe um país no mundo em que homens e mulheres recebam o mesmo que os homens. O país mais próximo de igualar é o Laos, onde as mulheres recebem 9% menos que os homens (91% do que eles ganham).

A análise do WEF levou em conta 149 países do mundo. Os dados mais recentes dizem que no mundo, apenas 34% das mulheres são diretoras.

Na política ocorre o mesmo, segundo o Fórum Econômico Mundial será preciso, no ritmo atual, 107 anos para que se alcance o mesmo número de mulheres nos cargos políticos. Dos 149 países apenas 17 países tem mulheres como chefes de estado (2018).

Enfim, é inevitável perguntar: por que ainda existe disparidade salarial em todos os países do mundo?

Há mais de 20 anos atrás ainda existia diferença na educação entre os gêneros, contudo nos últimos 20 anos tem diminuído o gap educacional – no Brasil as mulheres são a maioria a frequentar o ensino superior. Dito isso, o que hoje ainda impede a igualdade salarial entre os gêneros?

Na página do WEF uma entrevista com a economista norte americana Laura Tyson explica o que ocorre:

  1. Escolha de profissões- ser professor é uma profissão que paga menos que a de engenheiro e é algo frequente ao redor do mundo. Áreas como a engenharia tem mais homens nos cursos e consequentemente trabalhando. E mesmo nas profissões que pagam mais as mulheres são empregadas em níveis inferiores da hierarquia da profissão e, portanto, recebem menos mesmo assim. Do mesmo modo, quando falamos do ranking de liderança e gestão dentro das profissões há uma grande diferença entre os gêneros. É preciso reduzir as diferenças de gênero quando falamos de empregos em qualquer setor e profissão.
  2. Trabalho de meio-período- Um segundo fato que Tyson aponta é que as mulheres trabalham mais por meio-período do que os homens. Trabalhos de meio período pagam menos, independentemente de ser a mesma área e para o mesmo tipo de trabalho, explica Tyson. Isso sem mencionar que é comum ter pouca proteção social e benefícios que o trabalho em tempo integral possui. No mundo, as mulheres são 57% em trabalhos de meio período.
  3. Punição por ser mãe- Uma terceira causa, e bastante alarmante, é que de acordo com a OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) a cada filho há uma diminuição de 7% na remuneração da mulher. É como se a mulher fosse penalizada por ter filhos, na visão de Laura Tyson. Em contrapartida, o número de filhos que o homem tem indica um impacto positivo sobre os ganhos dos homens.

O curioso, para dizer o mínimo, é que quando falamos de homem e mulher no início da carreira ocorre o seguinte: “Mesma educação, mesmo trabalho, mesma remuneração”.

As diferenças gritantes começam a surgir em torno de 10 anos depois do início da carreira. Muitas vezes ocorre quando as mulheres têm filhos. Muitas vezes,explica Tyson, porque as mulheres “escolhem mudar para um emprego de meio período ou sair de um caminho de promoção da carreira com vistas a ter mais tempo para a maternidade e cuidados com a criança quando elas são pequenas”. Perdendo a chance de ter promoções no emprego e quando retornam para empregos de tempo integral elas recebem menos do que receberiam se tivessem ficado em seu trabalho original.

Para mudar esse cenário, políticas voltadas para igualar as responsabilidades parentais entre homens e mulheres são determinantes, entende Tyson. Isso ajuda a reduzir o estereótipo de criação das crianças. Então, a questão é tornar a paternidade tão participativa quanto a maternidade. De modo que se elimine a “penalidade pela maternidade e a premiação pela paternidade”.

A Suécia é um bom exemplo: eles adotam licença parental, na qual ambos os pais tem 90 dias cada de licença (180 dias) sem contar que eles têm no total 480 dias de licença parental juntos, válido também para casais gays.

Além dos três motivos citados por Laura Tyson, também tem um grande peso a “discriminação, estereótipos e preconceitos implícitos nos rendimentos e oportunidades de promoção para mulheres”, que devem ser combatidos.

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Publicado por aguedamars

Blogger (e filósofa nas horas vagas). Apaixonada por desenvolvimento pessoal e espiritualidade.

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