Mudar o mundo começa por nós

Como mudar o mundo?

Você já se perguntou como é possível mudar o mundo? Como é possível transformar o meio em que vivemos? Como é possível causar uma mudança positiva e, principalmente, efetiva no nosso mundo, quiçá alcançar o mundo inteiro?

Talvez seja difícil encontrar uma ideia em comum através da qual possamos efetivar a mudança ou a transformação.

Você está satisfeito com a situação de seu bairro, sua cidade e seu país? Se fizermos esse questionamento a nossos pais, avós, tios, irmãos, amigos, professores ou alguém por quem cruzamos na rua, certamente cada um deles a sua maneira responderá expressando suas insatisfações e esperanças de mudanças. Há sempre algo a ser feito para melhorar a sociedade.

Em essência, o que procuramos é transformar o espaço de convívio social no qual estamos inseridos e não somente melhorar e transformar nossas próprias vidas individualmente. As conquistas pessoais são uma prioridade de cada um, mas acolher o Outro e ter respeito pelas diferenças está implicado em nossos desejos de transformação do mundo.

Dessa maneira, podemos afirmar que o objetivo em comum que temos é a transformação de nossa sociedade em um lugar mais pacífico, harmonioso, que não exclua nenhuma pessoa. Transformar é modificar a forma vigente, mudar a forma, ou seja, efetivar mudanças. Se há um ideal em comum é importante buscar maneiras de encontro que possibilitem as transformações.

Em outras palavras, não é possível transformar o mundo sozinho, por mais motivada que uma pessoa seja. Tampouco deveríamos esperar que os políticos em sua atuação política fossem a solução de nossos problemas, pois há uma via de mão dupla: cada indivíduo atua de maneira política e não apenas aquele que está em um cargo político – que é um servidor público.

O verdadeiro significado de alteridade

Emmanuel Levinas

Por isso, precisamos perceber que o Outro, a alteridade com suas diferenças — como você e eu temos as nossas — é central para a transformação do mundo. Novamente, a atitude que temos com o Outro deve ter em sua essência acolher a alteridade, respeitar suas diferenças e perceber que se ele está em estado desumano sou eu quem deve ajudá-lo, da maneira que eu puder. Às vezes você pode doar dinheiro, seu tempo para um trabalho social, rezar/mandar boas energias, desenvolver um empreendimento social, etc.

Não devemos, portanto, esperar por um herói que salve a todos derradeiramente no instante final. Lembro-me quando Barack Obama tomou posse há 10 anos atrás: havia este sentimento de transformação e as esperanças das pessoas, em geral, pareciam se dirigir para aquela única pessoa.

Hoje penso que é injusto esperar por um único indivíduo, porque essa atitude apenas transfere a responsabilidade de cada um pelo Outro. Somente são possíveis transformações verdadeiras no mundo começando

  • primeiro por uma transformação interna, para desenvolver o seu eu-superior e desfocar do ego, porque eu só posso ajudar o próximo depois que eu ajudo a mim mesmo;
  • segundo, a partir da transformação interna podemos aos poucos promover mudanças em nossas escolas, nosso bairro, nos lugares onde convivemos com amigos, familiares e pessoas que não conhecemos e nas mídias que se tornaram tão cheias negatividade e julgamentos (muitos chamam de um lugar tóxico).

É preciso a atenção de perceber o Outro, ver seu Rosto*, sentir sua diferença e ser tomado de um profundo respeito pelo humano que o Outro é. Isso é estar de coração  e mente abertos para o Outro, mesmo que não seja fácil, mesmo que o ego diga “não!”.

Mais do que isso, assumir a nossa responsabilidade individual, algo que não é tão simples ou fácil. Ter uma relação verdadeira com outro ser humano é das coisas mais difíceis que existem. Porque estamos muito focados no eu (no ego) que é uma percepção materialista que temos de nós.

O ponto de virada é perceber, mais do que isso, é sentir a unidade espiritual que somos: o mundo material é uma ilusão, como nosso ego é. O Outro sou eu quando alcanço a consciência de somos Um.

Emmanuel Levinas bem disse que o “Outro é absolutamente Outro” e que eu sou infinitamente responsável por ele. De maneira que toda possibilidade de ser humano, de agir como humano, de ser verdadeiramente humano se encontra na relação ética que se estabelece no encontro com a alteridade.

É um trabalho difícil e constante. Não está pronto. Mas é este o trabalho de cada pessoa: jamais permitir que o humano no Outro e o humano em mim se perca. Nós somos vigilantes da humanidade.

Eu e você unidos podemos mudar o mundo

Nesse sentido, a transformação do mundo começa e se efetiva por mim e pelo Outro, por aquele que é diferente de mim. Ou seja, a transformação do mundo é feito por cada indivíduo. Portanto, mudar o mundo começa por nós.

Por isso o cuidado de si, de nossa interioridade é o primeiro grande passo a ser tomado para começar a mudar o mundo. Porque desenvolver a espiritualidade, conhecer a si mesmo (processo sem fim), cuidar do corpo e saúde promovem boas energias.

Desse modo, podemos ver o mundo diferente, enxergar os espaços por onde realizar mudanças e atrair pessoas com o mesmo desejo. Eu acredito que uma mudança de energia pessoal transforma a energia do mundo. Afasta o mal/energias negativas. A partir daí as mudanças são possíveis.

E porque é um processo individual, mas que também envolve a alteridade, é incessante e árduo. E não deve perder de vista os direitos e deveres, mas, sobretudo, deve ser um processo que respeite o humano. Em sociedade, o melhor modelo de mediação que temos se chama democracia. É o mais próximo de uma justiça universal que conseguimos alcançar, mas que precisa ser revisado constantemente.

Quem é o Outro, a alteridade em nossa sociedade? Como é possível o Eu e o Outro se unirem respeitando as diferenças individuais, apesar do egoísmo natural que nos forma, o qual nos incita a pensar sempre primeiro em nossos próprios interesses?

Como nós podemos transformar o mundo? Quais ações em nosso dia a dia podem efetivar a transformação no mundo, se considerarmos nossa atitude com a alteridade?

Devemos ter sempre em mente: somos nós, unidos, dentro de nossas diferenças que podemos transformar a sociedade para melhor, para todos.

*As noções de Rosto, alteridade, Outro e relação ética são conceitos trabalhados por Emmanuel Levinas, filósofo lituano (1906-1995). Conferir principalmente Totalidade e Infinito: ensaio sobre a exterioridade, Entre nós: Ensaios sobre a alteridade e De outro modo que ser ou para lá da essência.

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Publicado por aguedamars

Blogger (e filósofa nas horas vagas). Apaixonada por desenvolvimento pessoal e espiritualidade.

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