O poder da palavra: a importância de falar sobre seus sentimentos e o setembro amarelo

(Alerta de gatilho: suicídio. Procure ajuda: Ligue 188)

Depressão: um lugar negro que parece sem fim

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Eu já estive lá.

Eu me lembro quando eu tinha mais ou menos 10 anos. As coisas começaram a se complicar na minha cabeça e nos meus sentimentos. Olhando hoje para trás, eu digo que nessa idade eu comecei a ter consciência de mim e do que acontecia ao meu redor e no mundo. Antes era como se eu estivesse na continuação de um sonho bom, conhecendo as coisas de uma maneira muito simples.

Algo mudou drasticamente nesse período. Principalmente mentalmente. Desde que me lembro sou mais pensativa, fantasiosa, muito mais dentro da minha cabeça. Hoje em dia eu percebo que não foi por acaso que estudei Filosofia e que eu gosto tanto dessa área.

Mas, sem querer eu acabei priorizando a razão demais. E isso resultou em muito sentimento acumulado e soterrado em mim. Porque eu simplesmente não falava com ninguém. Por muito tempo eu acreditei que eu sempre fui muito independente. Mas a realidade é que eu escondi meus sentimentos de mim e do mundo.

As coisas pioraram a partir dos 13-14 anos. Eu comecei a ter depressão. E como eu não conseguia falar e me escondia, a dor foi aumentando. Para resumir, eu apenas consegui ir para uma terapia aos 24 anos, dez anos depois. Com depressão e sem ter um diagnóstico e nem atendimento apropriado (porque eu não conseguia falar), eu me sentia mal e de alguma forma culpada por sofrer. Então, começaram os pensamentos de suicídio. E foram 7 anos que eu passei, pensando, entre fases mais intensas, em cometer o ato. Sete anos de dor, de angústia e de desespero.

Em algum momento desses anos eu percebi que poderia sim conseguir realizar isso. E então algo em mim acendeu. Eu comecei a correr da ideia, a brigar com ela. A fugir de músicas, de literatura e de qualquer coisa que falasse de morte. Porque eu sabia que esse era um gatilho que me levava para as ideias.

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Para você ter uma ideia, esse período foi tão árduo, tão negro, tão devastador que eu não lembro de muitas coisas. Eu não tenho certeza de datas. Muitas vezes, eu apenas lembro de mim deitada na cama sem sair de casa. Recentemente eu estava me lembrando dessa época negra, e eu mal me lembro de como estavam minhas irmãs. Eu pensei: “Onde eu estava?”. Era uma solidão e vazio absolutos. Eu ainda agora, escrevendo aqui, fujo de lembrar, porque dói saber o tempo que passou, o que perdi, lembrar de tanta dor que senti sozinha. E lembrar da dor é doer de novo. Mas, eu sei que eu simplesmente não conseguia ver sentido na vida.

Por isso eu resolvi falar brevemente – porque não consigo mais do que escrevi acima – sobre o suicídio, mas focando na importância de falar. Se você percebe que está depressiva/o e/ou percebe que pensamentos de suicídio passam pela sua cabeça, não faça o que eu fiz. Não fique em silêncio. Não tenha medo de falar.

Grite se preciso for.

E se você perceber alguém que você conhece e que pode estar nessa dor, aproxime-se dela. Ouça de apenas ouvir (algo que é muito difícil: apenas ouvir). E se precisar falar algo, mostre o quanto aquela pessoa que está mal é valiosa. O quanto ela é insubstituível e tem algo somente dela para dar ao mundo.

Uma das coisas mais lindas que eu já ouvi desde que entrei no meu grupo de Kabbalah é:

“Aquele que salva uma vida salva o mundo inteiro.” 

A seguir, vou falar da importância de conseguir falar. Expressar seus sentimentos e colocar em palavras é a melhor maneira de sair de si, sair do looping da depressão e da ideia de suicídio. É importante falar, no início, mesmo que seja com amigos, familiares, namorado/a.

Mas, uma terapia com um profissional, seja psicólogo, psiquiatra ou psicanalista é essencial quando você está nesta situação de escuridão e sofrimento por muito tempo. Ainda mais se você está pensando sobre suicídio. Não pense que é bobagem, não pense que a dor vai passar sozinha. Procure ajuda, fale com alguém.

Grite!

E TENHA CERTEZA: A sua vida é única e você é uma dádiva!

Continue comigo.

5 motivos para você falar dos seus sentimentos

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1. Você não tem ideia da importância dos seus sentimentos- Não tenha vergonha do que você sente e não tenha medo de se expressar. Às vezes julgamos nossos próprios sentimentos como “bobos”, por exemplo, ou simplesmente como irrelevantes. Mas, os sentimentos estão te dizendo algo, você não pode descartar eles, porque “descartar um sentimento” ou criticar negativamente ele é jogar para debaixo do tapete. Isso pode gerar mais conflitos. Se você não se sente bem com algo, isso importa para você;

2.  Quando você fala sobre o que sente, você conhece melhor seus sentimentos- Expressar um sentimento tem um poder inacreditável. Você começa a compreender o que está acontecendo. O sentimento passa a ser real e você percebe os efeitos dele na sua vida. Além disso, falar sobre seus sentimentos e conhecê-los é uma importante parte do processo de cura;

3. Falar ajuda a aliviar a dor – E isso é muito importante. Foi exatamente onde errei quando eu era adolescente. Deixar trancado dentro de você seus sentimentos é nocivo, corrói você por dentro. Você deve falar sempre dos seus sentimentos, tanto quanto necessário, mas preste atenção nas dores que não são físicas. Por exemplo, angústia, dor por perdas, dor existencial.  Fale com alguém, não deixe isso aí dentro de você;

4- Você irá encontrar suporte – Muito mais do que você poderia imaginar. Eu sei por experiência própria que é algo apavorante falar de si mesmo para os outros. Abrir-se assim não é fácil. Mas, não tema o que possam pensar de você, porque haverá suporte das pessoas e você perceberá o quanto você é importante para os outros também;

5- Ajuda a deixar ir os sentimentos ruins- Porque quando você não fala o que sente, os sentimentos começam a controlar sua vida, seus pensamentos e suas ações. Você começa a ser negativo, dá voltas em si mesmo, e parece que não sair do lugar. Desdobrar o que você sente através da fala te ajudará a “se livrar” do que não precisa. Se forem sentimentos muito dolorosos, a ajuda de um profissional vai te guiar nesse processo. Esses motivos foram inspirados neste post aqui, confira!

Se você não está com depressão, mas está procurando mudar sua vida, este artigo meu pode te interessar. Fala sobre como mudar de vida através da minha experiência com a Kabbalah. Também falo sobre descobrir sua sombra neste post aqui. confere lá.

 

Se você tiver alguma ideia ou experiência para compartilhar vou adorar te conhecer melhor.

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🙂

Publicado por aguedamars

Blogger (e filósofa nas horas vagas). Apaixonada por desenvolvimento pessoal e espiritualidade.

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