Por que (desejamos) fazer o bem?

Eu falei neste post sobre a diferença entre ética e moral e listei alguns benefícios de fazer o bem ao próximo que a ciência já comprovou. Então fiquei pensando a respeito do bem. Sabe, tem temas que ocupam a minha vida completamente: o bem, o amor, Deus, espiritualidade e ética. E para mim, estas temáticas se relacionam muito mais do que você poderia imaginar. Segue comigo!

Os dois impulsos no ser humano

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Uma das perguntas que me faço desde a época da graduação é: Como é possível existir o Bem? Eu me intrigo com a existência do bem, porque ele é:

1- extremamente raro;

2- e poderia simplesmente não existir.

Nós poderíamos ser aquilo que Plauto (254 a 184 a.C.) cunhou: Lupus est homo homini lupus , ou seja, O homem é o lobo do homem. E isso num nível tão alto que não haveria espaço para nenhuma ação altruísta.

Você pode estar pensando: “Mas, esta é a sociedade: puro egoísmo. As pessoas pensam somente nos próprios interesses!”.

É verdade. Pensamos primeiro em nós mesmos. É bastante raro essas pessoas dativas, maravilhosas que às vezes encontramos. E muitas vezes, infelizmente, elas erram exatamente porque não conseguem ativar o seu lobo interior: é preciso ser um pouco lobo também, mas mais no sentido de não ser feita de boba, ser enganada, etc. Fazer mal a alguém com intenção é outra coisa.

o homem é o lobo do homem

Na realidade, não há como ajudar ninguém se você não se ajudar em todos os sentidos. E apesar disso, eu acredito que é absolutamente necessário procurar ajudar e fazer o bem de alguma maneira.

Então você pode se perguntar também: “Ok. Então você está dizendo que o ser humano é naturalmente mal?”

Não. Porém, esta questão já me atordoou bastante. Isso é um problema interessante na história da Filosofia (que não vou falar aqui, mas pode rolar em outro post). Para dar uma resposta do que eu entendo, hoje, depois de 6 anos enfiada na universidade e há 4 anos estudando e vivendo a Kabbalah, eu considero que o ser humano possui os dois impulsos. Assumi essa tese, e realmente acredito que temos os dois impulsos: o egoísta e o dativo; ou o egoísmo e o altruísmo.

Por que?

Se houvesse apenas o desejo egoísta, muita coisa não seria feita, talvez não existisse nossa espécie. E por que isso? Porque seríamos aquilo que eu citei acima, seríamos lobos dos outros seres humanos. Cada indivíduo teria sua própria lei – tentaria – e procuraria fazer o que quisesse. Talvez não surgissem as leis, o estado e tudo que regula e organiza a vida das pessoas.

Talvez não houvesse nem mesmo a consciência de que é melhor uma lei que ajuda a convivermos e assegura a liberdade de cada indivíduo (mesmo que idealmente, mas o objetivo é sempre esse) do que ser cada um por si. A anarquia não é de maneira alguma uma boa ideia. Tente imaginar um mundo sem metade das conquistas nos âmbitos do direito, direitos humanos, democracia, etc. Eu mal consigo imaginar!

Do mesmo modo, se houvesse apenas esse desejo de doar, sem interesse egoísta nenhum, o que construiríamos? É preciso esse interesse próprio mínimo que diz “Antes eu ceder um pouco para que os meus direitos sejam garantidos”. E sempre com o direito de protestar e mudar de ideia quando nossos representantes não estão agindo conforme o que foi “combinado no contrato”. O desejo de doar somente não conseguiria desenvolver a sociedade nas ciências, na economia, nas leis, etc.

Bem ou mal?

Porém, não acredito que uma pessoa simplesmente faça o bem. Pode ocorrer, mas eu acredito que quanto mais você pratica o bem mais se abre em você esse deseja de ajudar. Nesse sentido, eu concordo com a Mel Robbins:

“A vontade não aparece antes da ação. É a ação que cria a vontade ao criar um novo sistema de Piloto Automático. Você deve se forçar a fazer o que quer.”

O que eu quero dizer é que abre em nós o desejo. Você não se sente bem quando dá um pão ou umas moedas para alguém na rua? Não é uma ficção que nós nos sentimos bem ao ajudar o próximo.

A questão é que desde crianças, aliás, desde bebezinhos nós temos um senso do que é certo ou errado, e essa noção dá uma indicação de que somos capazes de fazer o bem. Mas, não podemos simplificar e afirmar que as pessoas ou são boas ou são más. Dividir assim as pessoas apenas gerou guerras, incompreensão e julgamento no mundo. Nós seres humanos somos extremamente complexos em nossos sentimentos. E eu não quero aqui que fique a impressão de que eu estou reduzindo o espectro de sentimentos a dicotomia bem-mal.

Mas, o meu foco aqui é nessa possibilidade quase inacreditável de fazer o bem verdadeiramente. Para mim, isso implica um desapego, um desinteresse próprio sem iguais. É um evento talvez raro, mas é possível realizar um ato simplesmente para ajudar.

Por que desejamos fazer o bem?

espalhe o bem faça o bem (1)

Para responder a pergunta do título, nós desejamos fazer o bem porque está na nossa essência esse desejo, apesar de que precisa ser ativado, por assim dizer. Ou seja, existe no ser humano a inclinação para o bem – e também para o mal. Pela minha perspectiva, o bem está em nós como uma abertura para o outro. Quero dizer, se um bebê pode diferenciar o certo do errado, tem algo aí.

O que significa bem e mal? Sabe, eu concordo que são termos muito simples para a realidade humana. Você não pode julgar que alguém ou é bom ou é mal.

(Na verdade, esqueça o julgamento, isso gera apenas ódio no mundo).

No geral, entendemos que o que caracteriza o bem ou ser uma pessoa boa é a capacidade de ter empatia, de querer cuidar e ajudar, de pensar no bem estar do outro, de ter compaixão pelo outro. Tem a ver com altruísmo e, às vezes, com se colocar em segundo lugar pelo bem do próximo.

 Por sua vez, o mal ou uma pessoa má tem de característico a incapacidade de ter empatia. A pessoa coloca seus interesses acima de tudo e de todos (e muitas vezes a qualquer custo). Há um egoísmo exagerado e até mesmo narcisismo. Elas podem mesmo ver outras pessoas como meios para seu fim, ou como objetos.

Bem, na realidade, como explica este artigo do site Psychology Today, a maioria das pessoas está entre os dois extremos quando falamos da maneira de agir e do comportamento. Ou seja, há momentos nas nossas vidas que o impulso egoísta se sobressai; em outros momentos o impulso altruísta se destaca. E agimos conforme o impulso.

Claro, isso para a maioria das pessoas.

Não estou falando aqui de psicopatas, que simplesmente não desenvolvem empatia pelas outras pessoas.

Cuide de você primeiro: ame-se

Como eu falei acima, nós podemos praticar, desenvolver, cultivar a empatia. Definitivamente, quanto mais você ajuda, mais você deseja ajudar. Mas, lembra que eu falei que primeiro você precisa se ajudar? Pois é. Se você não está bem, está com depressão, está passando por momentos difíceis, etc, talvez nem passe pela sua cabeça ajudar alguém. E pode ser uma sabedoria da nossa natureza. Primeiro se cuide.

Sabe aquela vontade que você já teve de meditar? De conhecer alguma prática espiritual? De ser mindfulness? De fazer yoga? De parar um mês para ler tudo que você quer? De melhorar sua alimentação?

Pois é, comece fazendo essas coisas, que são muito importantes. Isso é abrir novas portas dentro de você, ao cuidar de si e ao se amar. Quando você faz isso, vai preenchendo essa necessidade que temos de ser por nós, de cuidar de nós mesmos. E vai se abrindo uma janelinha. Através dessa janelinha você começa a enxergar o outro e o outro desperta aquele desejo de ajudar que existe em nós, mas precisa ser praticado.

Fazer o bem, desejar o bem para si mesmo e para o outro é conectar-se consigo e com a humanidade. 

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Por isso eu acredito que é possível sim ajudar, fazer o bem e fazer isso crescer. Porque nós possuímos essa natureza e percebemos que fazer o bem faz, SIM, bem.

Por último, quero indicar aqui uma página que eu amei encontrar enquanto pesquisava para este post. É o Razões para acreditar, que traz histórias do bem sendo feito por aí nesse mundão.

INSPIRE-SE!

COMECE!

PRATIQUE!

ESPALHE O BEM!

 

Se você tiver alguma ideia ou experiência para compartilhar vou adorar te conhecer melhor.

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🙂

Publicado por aguedamars

Blogger (e filósofa nas horas vagas). Apaixonada por desenvolvimento pessoal e espiritualidade.

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